Jon Luz

Nacionalidade: 
Jon Luz, Junzin D’Rosa, nascido na Ilha de Santo Antão e criado em São Vicente, Cabo Verde, é acima de tudo um autodidacta crioulo, músico de cordas tradicionais e compositor. Treze anos e trezentos escudos haviam de chegar para pagar a primeira guitarra e com ela pode entrar na escola musical do Mindelo: as serenatas da Ilha. Aos dezassete já vai de violão para as noites na casa da portuguesa D. Mariazinha e, percorrendo a Ilha, acompanha e aprende com artistas como Totono, Malaquias Costa, Canhota, Eugene Lima ou Luís Morais. Em 1994, constitui, com Zé de Paiva, a formação musical “Serenata”, que o traz, pela primeira vez, a Portugal em 1996. Após dois anos de regressos intermitentes, fixa-se em Lisboa quando, em 1998, vem para integrar a companhia de dança contemporânea Clara Andermatt, com a qual colaborou até 2001. As deambulações no arquipélago natal e para fora dele dão corpo ao universo musical de “Farrope d’Poesia”, o disco de temas originais, compostos entre 1994 e 2002, que edita em 2006. As cumplicidades musicais que experimenta em “Farrope d’Poesia” hão-de ser desenvolvidas e aprofundadas ao longo dos quase 20 anos em que Lisboa passou a ser a sua colina da saudade: acompanha ao vivo e grava com artistas de todos os quadrantes e identidades musicais que informam a sua própria música (Ana Moura, António Zambujo, Armando Tito, Celina Pereira, Cristina Branco, Chico César, Filipa Pais, Hermínia, Humberto Ramos, Ildo Lobo, Joana Amendoeira, Joana Melo, João Afonso, Lura, Luís Pastor, Manecas Costa, Maria Alice, Mayra Andrade, Nancy Vieira, Pantera, Roberta Sá, Sara Tavares, Tito Paris, Uxía, Vitorino, Titina, Zeca Medeiros, Voginha… ). Num território artístico e de criação propício e aberto a intersecções, desenvolve colaborações artísticas transdisciplinares compondo paisagens musicais para outras linguagens: escreve música para dança (Amélia Bentes, Felix Lozano, Marta Silva), cinema (Manthia Diawara, Sofia Marques), televisão (“Tradições – Retalhos da Vida de um Povo”) e para outros intérpretes (Cesária Évora, Maria Alice, Nancy Vieira, Rosa Mestre, Uxía). A partir da estranha ausência das Ilhas, começa agora a materializar-se o projecto que Jon Luz tem vindo a desenvolver nos últimos anos: uma viagem à volta da Ilha em 80 canções que cruzam as tradições da morna e coladera com o jazz, a improvisação e a música portuguesa. Em 2015 dirigiu artisticamente o projecto Serenata no Intendente, promovido pelo LARGO Residências.
Artista
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